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Um Milhão de Downloads de Traduções: a História do Romhacking Brasileiro

quinta-feira, 17 de setembro de 2026 · 23:33 · BR Games
Um Milhão de Downloads de Traduções: a História do Romhacking Brasileiro

O acervo do BR Games ultrapassou 1,5 milhão de downloads e reúne 778 traduções de jogos em português, de NES e SNES a PlayStation, GameCube e Nintendo 64.

Esta é a história de como os tradutores brasileiros fizeram o país inteiro jogar em português — e a lista das traduções mais baixadas de todos os tempos.

Desde 1999 no ar, o BR Games acompanhou e ajudou a construir o romhacking nacional: os grupos que traduziam na raça, os patches IPS que circulavam em CD e disquete, as gerações de tradutores que passaram pelo site e as centenas de clássicos que só puderam ser entendidos por aqui graças ao trabalho de fãs. Hoje, esse esforço virou número.

Um acervo de mais de 1,5 milhão de downloads

Somando todos os patches já publicados, o site chegou a 1.561.168 downloads de traduções — e a 2.198.096 visitas desde o começo da contagem. São 778 traduções e 27 anos de trabalho voluntário para preservar a memória do romhacking nacional.

  • 778 traduções publicadas e disponíveis para download;
  • 1,5 milhão+ de downloads acumulados, somando todos os patches;
  • 2,1 milhões de visitas ao acervo;
  • 74 tutoriais e utilitários para quem quer traduzir ou jogar.

A distribuição por plataforma mostra onde o Brasil mais jogou em português:

  • Nintendo (NES): 181 traduções;
  • Super Nintendo: 175 traduções;
  • Mega Drive: 96 traduções;
  • Game Boy Advance: 88 traduções;
  • Game Boy Color: 52 traduções;
  • Master System: 46 traduções;
  • PlayStation: 40 traduções;
  • E ainda Game Boy, Nintendo 64, PlayStation 2, Game Cube, Saturn, MSX, Arcade, Nintendo DS, X68000, 3DO e mais.

O catálogo completo, com busca e filtros por console, está na página de traduções.

As traduções mais baixadas de todos os tempos

Se o acervo tem um campeão, ele não tem nada de RPG de nicho: é futebol. Estas são as traduções mais baixadas da história do BR Games:

  1. Winning Eleven 2002 (PlayStation) — 44.124 downloads, por GokuW11 (Made in Brasil), 100% traduzido;
  2. The Legend of Zelda: Twilight Princess (GameCube) — 30.162 downloads, por Lucjedi e MajinBatata (Trans-Center);
  3. The Legend of Zelda: The Wind Waker (GameCube) — 25.949 downloads, por Lucjedi (Trans-Center);
  4. Castlevania: Symphony of the Night (PlayStation) — 23.653 downloads, por Master (Made In Brasil);
  5. Winning Eleven 3 – Final Version (PlayStation) — 18.562 downloads, por Jaaqueiroz, com 80% concluído;
  6. Pokémon Crystal (Game Boy Color) — 17.238 downloads, por R_Lopes (Tradu-Roms);
  7. Digimon World 3 (PlayStation) — 15.649 downloads, por Odenilton (Transfac), patch 0.30;
  8. Yu-Gi-Oh! A Alma do Eterno Duelista (Game Boy Advance) — 13.490 downloads, por Zantetsuken e OverKiller (BR Games e CentralMib);
  9. The Legend of Zelda: Ocarina of Time (Nintendo 64) — 11.066 downloads, por Hyllian e Odin (Zelda 64), versão 1.4;
  10. The Legend of Zelda: A Link to the Past (Super Nintendo) — 10.951 downloads, por GreenGoblin (Hexagon);
  11. Pokémon Yellow (Game Boy Color) — 10.552 downloads, por Samurai Pizza (CBT);
  12. The Legend of Zelda: Oracle of Seasons (Game Boy Color) — 8.336 downloads, por R_Lopes (Tradu-Roms).

Logo atrás vêm outras traduções que marcaram época: Super Mario RPG (8.078 downloads), Tales of Phantasia (7.993) e Pokémon Ruby (7.868). Note como a lista mistura consoles de todas as gerações — do NES ao GameCube — e como os jogos de futebol e as séries Zelda e Pokémon dominam o imaginário de quem cresceu jogando em português.

Destaques entre as traduções mais recentes

O acervo não vive só de clássicos. Ano após ano novos tradutores chegam e colocam no ar patches que rapidamente entram na lista dos mais baixados. Estes são alguns dos grandes destaques recentes do site:

Essa renovação é o que mantém o romhacking brasileiro vivo: cada patch novo puxa curiosidade para os antigos e apresenta o trabalho de quem traduz hoje.

Como tudo começou: o BR Games nasceu em 1999

A história do site se confunde com a história do romhacking nacional. O BR Games foi criado em agosto de 1999 pela vontade de divulgar as traduções de Marcelo Valverde e de outros tradutores que, na época, não eram aceitas pelo grupo CBT — a grande referência da cena naquele momento.

De lá para cá o site passou por quatro grandes versões, cada uma acompanhando a tecnologia da sua época:

  • Versão 1.0 (ago/1999): o início, feito em HTML e JavaScript, com visual simples e a missão de reunir traduções de fãs;
  • Versão 2.0 (fev/2001): um visual mais atraente e organizado, já com cerca de doze membros no grupo;
  • Versão 3.0 (abr/2003): totalmente reformulada e dinâmica, desenvolvida em ASP + SQL Server;
  • Versão 4.0 (out/2010): a base em PHP + MySQL que, com atualizações contínuas, sustenta o site até hoje.
BR Games versão 1.0, de agosto de 1999
Versão 1.0 (ago/1999) — o início
BR Games versão 2.0, de fevereiro de 2001
Versão 2.0 (fev/2001)
BR Games versão 3.0, de abril de 2003
Versão 3.0 (abr/2003) — ASP + SQL Server
BR Games versão 4.0, de outubro de 2010
Versão 4.0 (out/2010) — PHP + MySQL

Mais de duas décadas depois, a missão continua a mesma: preservar a memória do romhacking nacional. O histórico completo, com os bastidores de cada versão, está na página história.

Não é só tradução: 74 tutoriais e utilitários

Além dos jogos, o BR Games reúne 33 tutoriais e 41 utilitários74 materiais no total — para quem quer aprender a traduzir, aplicar patches, extrair textos ou editar gráficos de ROMs. É o mesmo espírito de compartilhar conhecimento que fez o romhacking brasileiro crescer.

Se você quer dar os primeiros passos, comece pelos tutoriais e pela seção de utilitários.

Faça parte dessa história

Chegar a 778 traduções e mais de 1,5 milhão de downloads só foi possível porque existe uma comunidade que joga, baixa, divulga e — principalmente — traduz. Se você também quer contribuir, o caminho está aberto:

E se este resgate histórico te lembrou de algum patch que deveria estar aqui, fale com a gente. O romhacking brasileiro é feito por gente que se lembra do que veio antes.